Recurso educativo sobre história das mulheres tem previsão de lançamento para o segundo semestre
Diante da recente aprovação do Projeto de Lei que visa compreender a prática de misoginia como um ato criminoso no Brasil,o projeto Internet LEGH reafirma a importância das ações de pesquisa e extensão que vêm desenvolvimento desde 2020, junto ao Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC). A urgência em debater o ódio ao universo feminino e outros fenômenos que ameaçam a vida das meninas, mulheres e outras minorias sociais, segue alinhado aos desafios contemporâneos, coadunando violência de gênero, história das mulheres e de corpos dissidentes, além de literacia digital e cibersegurança por meio de uma perpectiva feminista interseccional.
E para dar continuidade à produção de recursos educativos que visam impacto direto na sociedade civil, foi iniciada uma nova etapa de planejamento e desenvolvimento no setor de jogos. Desta vez, o Projeto pretende elaborar um jogo mobile (que pode ser jogado em smartphones ou tablets), voltado para o público jovem, e que terá como principal temática as conquistas obtidas por meio da luta de mulheres ao longo da história do Brasil.
Quem está responsável pela mecânica, narrativa e design é a Organização do Terceiro Setor chamada Prototipando a Quebrada (PAQ). A ONG, que foi fundada na Grande Florianópolis, em 2018, visa a formação de jovens periféricos entre 16 e 21 anos e auxilia na inserção desses talentos dentro do ecossistema de tecnologia e inovação do Estado. O time que assume este projeto é composto por Igor Rohrig Souza, Luiz Eduardo Franzói Azevedo e Gabriel Adonai Davalos Vieira, velhos conhecidos do LEGH, além de Samuel Kalldeira e João Gabriel Kuhn Burigo.


A parceria não é nova, pois foi o PAQ que prototipou, em 2024, o primeiro jogo digital do Projeto Internet LEGH, chamado “Lelê e as Ameaças no Metaverso”. Produzido para estimular a reflexão sobre as violências digitais e boas práticas na internet, o jogo está disponível de forma online ou para download desde fevereiro deste ano.
Primeiros passos
Até o momento, foram realizadas três reuniões entre as equipes do LEGH e do PAQ, para que fossem alinhadas às expectativas e discutido o cronograma de execução. Além da sugestão inicial da narrativa, que deverá se passar no imaginário infantil, recriando o que seria a época em que determinadas figuras históricas viveram, também foram apresentadas as propostas das duas primeiras fases do jogo. Na primeira, a figura de Maria Quitéria deve ganhar destaque. A baiana, que chegou a se disfarçar de homem para permanecer no exército, lutou nas Guerras de Independência do Brasil. Na segunda fase, Maria Felipa de Oliveira se torna protagonista e sua trajetória como líder no enfrentamento às embarcações da frota portuguesa, é rememorada.
O“high concept” do jogo, que de forma simplificada explica seu objetivo maior, foi apresentado da seguinte forma:
“Atravesse o tempo em eventos históricos e combata a Sombra do Machismo que está tentando mudar eventos canônicos, impedindo mulheres importantes de agir. Adquira habilidades únicas inspiradas em seus feitos para enfrentar o Patriarca da Sombra em um combate estratégico no estilo Mega Man.”
Próximas etapas
A partir de agora serão discutidos enredo, conceito de artes, mecânicas do jogo e possíveis inimigos a serem enfrentados. Para isso, a parceria contará com conversas especiais de convidados de outras regiões e que trarão outras experiências sobre os enfrentamentos ao machismo e à misoginia. O lançamento está previsto para agosto de 2026, quando o jogo deverá ser apresentado durante a VII Jornadas do LEGH.